28 março 2003

A Hist�ria do SEAM

Ao contr�rio dos Estados Unidos, o Brasil demorou bem mais para ter uma ag�ncia governamental. O movimento que levaria ao estabelecimento da Secretaria Especial de Assuntos Metahumanos (SEAM) come�ou logo ap�s o final da Segunda Guerra Mundial. O Gen. Mascarenha de Moraes, que partilhava do mesmo sentimento de Eisenhower ao retornar da Europa, tamb�m iniciou uma campanha para o direcionamento de recursos para o assunto paranormal. Ele tentou conseguir o aux�lio do Rel�mpago, o primeiro super-her�i brasileiro, mas este ainda estava abalado pela sua experi�ncia na guerra e decidiu retornar ao anonimato. A campanha de Mascarenha de Moraes teve sucesso ap�s a visita do presidente americano Henry Truman ao Brasil, em 1947. Logo depois, o ent�o presidente Eurico Gaspar Dutra criou o Departamento de Atividades Paranormais (DAP). O DAP nada mais era do um escrit�rio de colagem de informa��es e sua exist�ncia n�o acrescentou nada ao governo.


O DAP cresceu no governo de Vargas (1951-54). Greg�rio Fortunato, guarda pessoal de Get�lio, viu no departamento um valiosa arma. Ele conseguiu mais fundos para o departamento e dobrou o n�mero de funcion�rios. Sua dedica��o rendeu frutos dois anos depois, quando, segundo registros, Greg�rio teria conseguido recrutar um poderoso paranormal codinominado "A�ougueiro." Ele teria usado esse metahumano para assassinar Lacerda, mas por raz�es desconhecidas, o atentado nunca aconteceu, tendo sido executado por um assassino normal � que falhou tamb�m. Com o suic�dio de Get�lio, Greg�rio se certificou que suas atividades no DAP n�o seriam descobertas queimando os documentos relacionados �s opera��es dos �ltimos tr�s anos, em especial aqueles que falavam sobre o A�ougueiro.


O departamento s� foi alvo de aten��es novamente no governo de Juscelino Kubitschek (1956-61), que renomeou-o GEAP (Grupo Executivo de Atividades Paranormais). Apesar de toda fanfarra, o GEAP n�o conseguiu ultrapassar o sucesso de Greg�rio, recrutando um �nico paranormal, o Engenheiro, o primeiro paranormal p�blico do Brasil, depois do Rel�mpago. Da� at� 1964, nada de extraordin�rio aconteceu.


Em 1964, um golpe militar dep�s Jo�o Goulart. O Alto Comando Revolucion�rio optou por manter o GEAP e o Engenheiro, j� que ele n�o apresentava perigo e, como se acreditava na �poca, o n�mero de paranormais no Brasil parecia ser extremamente pequeno, se � que ainda havia mais algum. A situa��o permaneceu assim at� o governo de Costa e Silva. As grandes agita��es pol�ticas e estudantis, e a dura repress�o do governo levaram o Engenheiro a deixar o GEAP. Costa e Silva extinguiu o GEAP e prendeu o Engenheiro, mas uma cadeia comum n�o conseguiu mant�-lo por muito tempo, j� que ele tinha o poder de manipular terra e rocha. A "amea�a" paranormal se tornou um t�pico importante para a o governo militar e o presidente encarregou o DOPS (Departamento de Ordem Pol�tica e Social) de lidar com esta situa��o. O �rg�o deveria recrutar qualquer metahumano favor�vel ao governo e reprimir, violentamente se necess�rio, os subversivos.


Estranhamente, a partir de 1968 o n�mero de aparecimentos de paranormais aumentou substancialmente. Se antes n�o havia paranormais, agora parecia n�o haver limites para o n�mero deles (isso levou a duas linhas de racioc�nio: uma que postula ter havido realmente um explos�o de manifesta��es no final dos anos 60, e a outra que defende que os metahumanos j� existiam h� muito tempo, mas ao contr�rio de seus equivalentes americanos, eles optaram pelo segredo; at� hoje ningu�m chegou a uma conclus�o, mas a discuss�o j� rendeu v�rias teses de sociologia e hist�ria, e teorias de conspira��o metahumana). Muitos se associaram ao governo, como o Capit�o-do-Mato, ou ao movimento de resist�ncia, como Molotov, e acabaram morrendo nos diversos confrontos. Ao longo dos anos 70, o n�mero de paranormais parece ter se estabilizado. A maioria dos metahumanos p�blicos trabalhava para o governo. No lado da resist�ncia, ainda havia alguns paranormais p�blicos, mas a maior parte tinha optado pela clandestinidade. No final da d�cada, a responsabilidade pelas atividades metahumanas governamentais migrou gradualmente para o Servi�o Nacional de Informa��es (SNI), at� que em 1980 se encontrava totalmente sob a jurisdi��o deste �rg�o.


Com a Nova Rep�blica e a redemocratiza��o do pa�s, o SNI foi reestruturado, sendo transformado na Secretaria de Assuntos Especiais (SAE). A necessidade de um �rg�o espec�fico para lidar com a paranormalidade brasileira estava clara e a SEAM foi criada, sendo M�rio Guerra indicado como diretor. Foi nessa �poca tamb�m que surgiu o Guardi�o, o primeiro super-her�i brasileiro propriamente dito depois do Rel�mpago.


Sob a dire��o de M�rio Guerra, a SEAM se tornou uma das ag�ncias mais fortes do governo. Al�m de coordenar os agentes e recursos paranormais, a SEAM regulamenta e cadastra as atividades metahumanas em solo brasileiro. Ela possui um arquivo extenso de paranormais brasileiros, conv�nios com v�rios institui��es de pesquisa brasileiras e contatos com ag�ncias internacionais. O grupo governamental brasileiro, Metafor�a Expedicion�ria Brasileira (MEB), tamb�m est� sob o comando da SEAM.


Atualmente, n�o h� tantos super-her�is ou vil�es atuando no Brasil como, por exemplo, nos Estados Unidos e Europa, mas a SEAM acredita que o n�mero de paranormais ativos no pa�s rivaliza os n�meros do hemisf�rio norte. A frequ�ncia de surgimento de novos metahumanos tamb�m est� acompanhando as tend�ncias mundiais.

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